A histórica aventura, para encontrar a Fundação, continua...

Isaac Azimov é um dos autores de ficção científica mais reconhecidos da literatura mundial. Com sua obra “A Fundação” alcançou um público amplo com sua narrativa futurista. Na construção de um universo coeso e gerido pela humanidade, a continuação de sua obra, Fundação e Império, expande a narrativa deste universo. Este resumo é sobre o 2º livro da trilogia original da Fundação. As obras do autor também abarcam a obra Eu Robô, interpretado por Will Smith na versão para cinema, como visão contemporânea da humanidade enquanto o Império Galático não existisse.

Arte do canal - Papo Nas Estrelas - publicada em 24/06/2020.

Fundação e Império é uma obra com recanto de exploração espacial apesar de não chega a ser um “Guerra nas Estrelas” mas se aproxima bastante do que é “Jornada nas Estrelas” pois convive mais com conflitos políticos do que império, apesar de ambos estarem presentes. Ao misturar a clássica fantasia medieval, onde o inacreditável acontece por não ser possível, combina mecanismos tecnológicos de onde a humanidade conviva e interliga em suas intrigas política/militares, de revolução contra um governo opressor e omisso de suas obrigações. São meros detalhes de um prato cheio de quem gosta de um romance que busca equilíbrio nas suas descrições e uma certa velocidade entrelaçada aos acontecimentos da história.

A história começa com o relato de um militar que descobriu informações cruciais sobre A Fundação, um grupo tão secreto, criado para suceder o império galático humano, depois que este caísse na desgraça de sua própria auto destruição. Como diversos planetas, dentro do Império Humano, se aliaram ao grupo da Fundação e como esses políticos, de planetas tão distintos, foi sobrepujado pela mente de um inteligente ser que busca um certo tipo de vingança.

Hari Seldon, falecido criador da tal Fundação, no passar da sua vida, estipulou diferentes situação, em suas profecias, de como a Fundação poderia sobreviver a diferentes investidas de grupos políticos distintos que poderiam destruí-la entretanto, mesmo com a queda de parte do Império Galático, tanto este quanto os outros grupos ainda eram uma ameaça para a sua organização. Entretanto, Seldon também deixou escrito, em diferentes registros de época, onde poderia ser encontrado uma nova Fundação, mais secreta e mais escondida que a primeira, para que a humanidade, sem um império galático, pudesse sobreviver a uma extinção. O que Hari Seldon não esperava era que um Mutante, com poderes sobre-humanos, poderia sobrepujar todos os poderosos militares da Fundação com uma cartada de mestre e manipulação sentimental de seus participantes.

Partindo do princípio de seguir pistas, as personagens principais se esbarram em diferentes situações e regiões onde Mulo, uma inteligente personagem, de dentro do império galático, conseguiu vencer conflitos e guerras sem disparar um único tiro.

Hari Seldon, ao criar a teoria da psico-história, e como a matemática tem papel importante na construção de sua visão de futuro da própria humanidade, coloca em prática o chamado Plano Seldon, pois este é a base de sobrevivência da Fundação. Foi, a partir dele, que a semente da discórdia, Mulo, em seu aparecimento, como o indivíduo de capacidades além do imaginado, desequilibra o Plano Seldon dos eixos.

Como a situação intrigava os membros da Fundação, causando discórdia em diferentes reuniões, a surpresa foi quando, o inevitável conflito com esta persona seria decisivo à sobrevivência da Fundação. O maior dos espantos foi a entrega repentina dos militares, e da cúpula de controle, em poucos minutos para as forças de Mulo. Logo a Fundação? A força militar e política mais poderosa depois do Império Galático? Perder para o Mulo? Como isso foi possível? E esta se torna a linha principal da narrativa que começa antes e termina depois do conflito com Mulo.

É então que o leitor parte na narrativa junto do Rei de um planeta que faz parte da Fundação de Seldon e com sua esposa para encontrar quem é esse Mulo. Acompanhados de um pequeno criado, que sabia tocar um instrumento musical inusitado, e um cientista / filósofo, descobrirem a 2ª fundação enquanto diferentes planetas são visitados, e o acesso a uma biblioteca abandona, durante a história, revelam fatos. Novas personagens aparecem no caminho e governantes, política e burocracia são colocados de forma a encorpar a trama com diferentes informações de existência da humanidade. O que fica evidente é que “Sem burocracia não existe humanidade” pela história do autor que, apesar deste não falar isso abertamente, deixa nas entrelinhas essa sensação.

Enquanto apresenta as tecnologias do futuro, misturadas as da época de escrita do livro, elas são explicadas em sua forma, função e funcionamento. Ao passarem por diferentes situações onde assassinatos, conflitos e desconfiança, se entrelaçavam aos dilemas de sobrevivência da Fundação é então encontrada as pistas dessa nova organização e com ela a revelação de quem é Mulo.

A revelação desta personagem é a ponta de equilíbrio entre a narrativa ficcional, de um autor visionário, quanto a desejada vontade de desistir de tudo e tentar outra coisa. Como Mulo conseguiu ganhar conflitos sem disparar um único tiro e como os seus poderes Mutantes fizeram a diferença no campo de batalha, é o recheio inusitado da obra. A história, para desespero dos leitores, termina sem uma conclusão decente porém convidativa ao livro seguinte. 

Vale pela aventura digna de seriado e possibilidades interessantes de terem sido referencia para obras futuras de outros autores e franquias. É um livro divertido.

Até o próximo.

Ass.: Thiago Sardenberg

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