Os Fundamentos do Desenho Artístico, a base de tudo
Quando estudar arte faz parte do processo básico de entender processos e técnicas, inevitavelmente nos leva a leituras de um passado não tão remoto, para entender como determinadas ferramentas e recursos podem ser replicados nos meios digitais.
Apesar de ser um processo um tanto chato devido as recentes mudanças tecnológicas vigentes, porém para que esses processos e técnicas funcionem como o esperado, conhecer as origens delas, manualmente, é a pior parte desse longo e constante acúmulo de informações e diferentes aprendizagens.
Porém, no longo prazo, algumas muitas coisas do passado analógico, ainda fazem sentido serem ensinadas pois facilita o processo de aprender como usar o que existe hoje além de que, o contemporâneo também é o reflexo do nosso presente e as regras e conhecimentos do passado nunca deixarão de serem importantes...
O livro “Fundamentos do Desenho Artístico” foi a obra da vez. De autoria Espanhola com o nome de “Aula de Debujo. Fundamentos del dibujo artístico” é uma obra localizada pela editora WMFe Martins Fontes de 2007 como primeira tiragem. Por já ter um certo tempo de lançada, pode parecer que é um livro velho, e ultrapassado, mas na prática não é tanto. A maioria das escolas e cursos de artes irão passar pelos conhecimentos de materiais e recursos em seus programas, sejam livre ou de graduação, e por isso mesmo a obra tem lá seu valor e qualidade.
Na prática é um livro com um apanho de conhecimentos que abordam técnicas, materiais e recursos. Na parte prática demonstra e ensina como aplica-los em diferentes trabalhos de artes. Partindo do suporte do papel, podendo variar esse papel de acordo com o recurso usado, também demonstra como fazer bom uso dos lápis de: grafite, carvão, aquarela; giz pastel oleoso, giz pastel seco; tintas de Nankin e as cores; apresenta as diferenças dos esfuminhos e das borrachas; e para qual finalidade pinceis e algodão podem ser usados na finalização dos trabalhos.
Com o conhecimento dos materiais e recursos entendidos passa para as técnicas aplicadas, até porque, o objetivo é ensinar muitos detalhes que com o tempo se esquecem e só no reestudo e aplicação deixarão de ser perdidos. Como existem preferências individuais para cada suporte e recurso, e dependendo da combinação o resultado pode ser bem estranho, saber o que usar e quando, de acordo com o material, o que não usar, ajuda a não errar nas misturas.
Sabendo o que funciona melhor em cada suporte, o livro auxilia a não fazer misturas erradas. Usar um papel fino para tinta aquarela, vai dar problemas. Aplicar um lápis carvão num papel acetinado, liso, que tem melhor resultado com uma tinta Nankin, não é recomendado. Usar canetas descartáveis, em relação a pinceis, vai gerar resultados diferentes. Para substituir alguns materiais mais nobres, como pincel de crina ou pena de caligrafia, é uma checagem constante do quanto de recursos temos a disposição.
Técnicas aplicadas também passam pelo processo de apontar os grafites para mudar o tipo de traço usado no desenho. A precisão do traço e a pressão que a mão do artista realiza no decorrer do trabalho também é abordado. Controle excessivo, neste caso, é uma virtude do artista e só ocorre com o tempo. Além desses detalhes outros mais pontuais das técnicas são apresentados para que os futuros artistas não fiquem com muitas dúvidas de como ou o que usar e de quando.
Na parte prática o livro se apresenta na base do traço. Trabalha as formas do desenho, volume, brilhos e sombras, perspectiva, proporção, formas orgânicas, formas geométricas, composição, hachuras, pontilhismo e perfis dos desenhos. Equilibra informação textual com imagens de diferentes formatos e tamanhos para focar nos detalhes que importam e serão trabalhados nas atividades.
Apesar da importância que a figura humana tem por natureza, esta é representada poucas vezes em relação as paisagens e a obra fica devendo algo mais aprofundado sobre anatomia. Não significa que não exista, sim ela existe, e por justamente ter em volume elevado por outras obras, o sacrifício é aceitável. Focar aonde os outros se perdem para ganhar qualidade, neste recorte, o livro ganha tanto em aprofundamento de conteúdo, que outros só encostam, quanto na variedade de técnicas aplicadas, que outros nem falam.
Cerca de metade do conteúdo é a aplicação real das técnicas. Em seus 20% finais, uma variedade intensa de exercícios que serão usados para exemplificar a aplicação do que os capítulos iniciais abrangem. A mistura dessas técnicas pode criar resultados inusitados, inesperados e até satisfatório, dependendo do repertório do artista. E um artista que sabe usar tais recursos estará num ponto do conhecimento que o levará a novas descobertas mais facilmente pois terá a base.
É um livro de base. Serve ao seu propósito de iniciar as conversas misturadas entre materiais, recursos, técnicas e suportes. São quatro temas intrínsecos ao estudo das artes e que uma nova geração de artistas, mais comerciais e acostumada ao digital, pode perder com o tempo. Minha recomendação é para não ignorarem o que o livro apresenta. Se em algum momento num futuro indeterminado, o digital não for mais sua praia, ou a experimentação for mais o seu foco de interesse, saber sobre os processos do passado vai servir de referência para se criar novas ideias.
OBS: todas as imagens foram extraidas do livro lido. Por favor, creditem elas nos seus trabalhos.












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