Bienal do Livro do Rio, 2023. E passou passando...
Mais uma bienal do livro se foi, 2023 já está terminando, e com ela variadas coisas ocorreram. A primeira delas foi, de novo, a minha não presença, num dos eventos que mais gosto. Seja para gastar com algo que não tenho em livros que provavelmente não irei ler, mesmo que eu queira e deseje... mais uma bienal do livro passou. E sendo ela, a do RJ ou a de SP, é sempre um evento carregado de muitos outros eventos.
Em 2021 (pós pandemia) passei longe. Lá em 2019 (estava em Goiânia) e 2017 (onde estava mesmo?) não lembro. Em 2015, essa sim, na época do SENAI RJ, foi boa. Como professor algumas vantagens existem. Em 2013 gastei uma pequena fortuna em livros que li, em parte, mas não usei para produzir minhas aulas de modelagem 3D. Complicaram além do necessário o que não precisavam e onde estão esses livros? Vão bem, obrigado. Acumulando poeira na estando do quarto.
E bem além das compras, sempre tem aquela seção de autógrafos inesperada ou almente concorrida, por outros autores tietes ou fãs de longa data de mais um escritor badalado. Baderna? Não mesmo. Muvica? Quase igual a do carnaval, só não está no bloco, mesmo estando blocada.
Os lançamentos e relançamentos de diversos títulos, muitos deles de gostos duvidosos, afogam-se nas prateleiras. Melhor deixar quieto. As divulgações de trabalhos de muitos autores consagrados alinhado ao bate pernas e quebra cadeiras dos transeuntes é sempre uma mistura de variados trauma.
Vindos dos pés inchados pós maratona andada indo até os bolsos vazios refletindo nas bolsas cheias e pesadas de quilos e mais quilos de papel com tinta colorida estampada, a coluna quase quebrada reclama tanto quanto os pés massacrados fora dos sapatos. Não vi nenhum sapato sendo jogado para os donos do outro lado do pavilão mas os pés de atletas sempre aparecem. Felizmente os odores não são perceptíveis.
Alguém deveria criar esteiras rolantes nos pavilhões como o livro de Azimov, Fundação, indica ser o futuro daquele povão. Futuro da bienal? Quem sabe...
Existem também aquelas caravanas que mais parecem bandos de devotos e romeiros indo pra Aparecida. É gente que não acaba mais. Fora as editoras, tanto as famosas e com vendas nos seus sites quanto das desconhecidas, de primeira viagem, e as de baixa tiregem. Tem pra todos os gostos e tipos de leitores.
Quadrinhos, técnicos, dicionários, romances, culinária, treinamentos, teses e dissertações que viraram publicações. É tanta papelada junta que fica aquela dúvida: irei ler ao menos o que me interessa nos próximos 2 anos? Se não. E lá fora, do pavilão, eis a praça de alimentação.
Se os livros já estão caros, comida então, só pagando com moedas de ouro. Comer fora de casa já foi mais barato. Enfim posso me perguntar "fast fudy ou a kilo?" e meu estomago adora reclamar "Sei não mermão, to com fome!" Então tá, o que tiver vai.
Aí muda-se de pavilhão. Chegamos na metade e falta coisa pra ver.
Mais editoras, mais livros, mais - pseudo - promoções (ou quase extorção) e o tempo voa. Corredores, vias, placas, onde está o meu salário? Esvaiu-se nas maquinas de cartão. Nessa época nem 4g pegava direito, pix então, nem em sonho.
Até que chaga ao fim, mais um dia de evento e as filas continuam. Agora as de taxi, uber e busão, pra todos enlatar de montão. Bienal de livro é um eventão!
Na boa? Só com muita disposição pra ir em mais uma delas. É legal, vale a visita de tempos em tempos, mas os sebos de livros precisam sobreviver também. Tem coisas por lá que a bienal nem vai olhar.
Esta foto, que ilustra o texto, é do acervo do "O Globo, RJ" e mostra a importância da leitura com um de nossos maiores escritores Carlos Drummon de Andrade. Deixo-a como pretexto que todos os leitores, acompanhem as oportunidades de se aproveitar mais o seu tempo. Fora das redes, fora dos celulares, fora das TVs. Ler é uma dádiva. Aprecise sem moderação.
Até o próximo.
Ass.: Thiago C. Sardenberg


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